sexta-feira, 1 de abril de 2011
Inquérito a trabalhadores no campo da Arte Contemporânea
Junto enviamos um inquérito anónimo de iniciativa civil dirigida aos nossos pares que trabalham na área da Arte Contemporânea e nas diversas profissões a esta associadas. O seu objectivo é fazer um levantamento das condições laborais no interior das Artes e constituir assim uma ferramenta útil para um auto-reconhecimento do meio. Especificamente, este objecto pode ser importante para reivindicar, definir ou proteger direitos e deveres, e assim tornar-se um objecto útil para futuras discussões.
O preenchimento deste inquérito está pensado para cerca de 10 min., e está disponível para o seu preenchimento até Terça dia 12 de Abril. É inteiramente de resposta anónima.
Uma vez tratados os resultados do inquérito, estes serão disponibilizados no âmbito do ciclo "Agência: Algumas formas ao alcance de todas as mãos" a partir de 28 de Abril de 2011 no espaço The Barbershop, R. Rosa Araújo, n. 2, Lisboa, e posteriormente em http://thisisthebarbershop.blogspot.com/, onde estarão passíveis de serem referidos e partilhados por todos. Como representação sociológica, os resultados deste inquérito ficam limitados às respostas obtidas, sendo agradecida desde já a sua divulgação e preenchimento do inquérito por todos aqueles que considerem trabalhar na/para a Arte Contemporânea.
Cumprimentos!
Inquérito aqui:
http://kwiksurveys.com?u=inqueritoartecontemporanea
Divulgem por favor!
quarta-feira, 9 de março de 2011
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
sábado, 5 de fevereiro de 2011
A "nova" Fotografia
Publicado na "Opção"
A «nova» fotografia
Não há ainda apelativos absolutamente correctos para o novo. O novo surpreende a um ponto zero, a sua aparição é anterior ao conhecimento, anterior ao compromisso. É sobre o novo que eventualmente qualquer pessoa (desde que possua os instrumentos necessários e respectivo "modo de emprego") pode exercer a crítica; na prática, que a poderiam exercê-la os especialistas - se porventura essa especialização não lhes tivesse toldado a inocência... (a especialização é um mal transitório, necessário numa cidade dividida; é malíssima quando os especialistas começam a tomar parte pelo todo... o que quase sempre acontece).
Voltemos ao novo e à crítica. Diz-se por exemplo nova fotografia, como novo livro ou livro-de-artista, novo filme ou filme-de-artista. Para meios tecnicamente novos há menos ambiguidade e cai-se na redundância como video-arte ou arte-do-corpo. Que é uma redundância vê-se melhor nesta última designação, pois que - é evidente - toda a actividade artística é arte do corpo. Mas a verdade é que neste domínio - o novo, o verdadeiramente novo, nós temos que recorrer com frequência à redundância, ao pleonasmo e até a uma certa contradição linguareira para designar os novos objectos do nosso apaixonado conhecimento... que nunca são apenas novos meios. A fotografia, por exemplo, existe tal como a conhecemos hoje tecnicamente há uns três quartos de século - e agora nós falamos de nova fotografia.
E não sem razão.
Uma história complexa
Efectivamente a fotografia tem já uma história complexa. Como no caso do cinema, poderíamos dizer que essa complexidade começa antes da respectiva invenção: já existia antes de ser inventada. Isso é mais propriamente um aspecto técnico que não desenvolveremos que aqui. O mais importante é o que acontece com os primeiros daguerreotipos ( de Daguerre ); com os trabalhos de Niepce e outros; com a obra já "clássica" de Nadar. A partir daí a fotografia passaria a ser filha segunda, substituição mais ou menos comprometida da pintura. Mesmo quando (nos trabalhos de um Paul Strand, por exemplo) as suas "reussites" rivalizavam em originalidade formal com a irmã mais velha. Isto não quer dizer que não tenha havido operadores mais ou menos isolados a explorarem novos caminhos com o novo meio. Logo no início desta história houve os casos de Marey e sobretudo de Eduard Muybridge. Espantosa intuição. Mas estes autores eram como o engenheiro Eiffel: faziam uma obra de arte julgando que construíam apenas uma ponte ou uma torre funcionais. Inteiramente conscientes mas relativamente isolados foram mais tarde homens como Man Ray, o dadaísta, amigo de Duchamp; ou Moholy-Nagy, o professor da célebre Bauhaus. O próprio Marcel Duchamp, neste aspecto como em muitos outros teve a intuição do que seria a "nova" fotografia. Em 1942 ele substitui num quadro de Delvaux um detalhe imitando uma fotografia por uma fotografia mesmo... Mas isto já tem que ver com a memória, o desejo e um novo olhar sobre as coisas.
A memória e o desejo
Desde há muito que os pensadores se debruçam sobre o olhar; que é um sentido directamente teórico diria Marx inspirando-se em Hegel. "Que cada olhar é já uma teoria sobre o mundo "teria dito Goethe antes. Efectivamente o olhar suscita o desejo e fá-lo parar no limite do consumo. Neste sentido o olhar é uma transgressão do outro, sempre e sem defesa; mas uma transgressão que constantemente realiza a primeira grande operação erótica de facto: a contenção. Eu vejo-te, as belas pernas ou a fina comissura dos lábios, e suspendo o meu desejo, tu és a desconhecida que se senta à minha frente no comboio, ou mesmo a minha companheira de todos os dias. Também neste caso eu ainda te dirijo olhares de soslaio, olhares não-operatórios, ou o desejo já não existe entre nós... Dou exemplos simples, nem sempre o desejo se contenta com a simplicidade. Vejamos: essa contenção é já memória e "nova" fotografia. Digamos mais banalmente: registo. Ou seguindo o raciocínio ao contrário: o que a fotografia (verdadeiramente nova) veio revolucionar foi o registo e a perenidade do olhar; o que veio foi contrariar a perca da memória, ou a morte se quiserem que se mistura a toda e qualquer contenção: posso conservar (possuir) esse instante de desejo, outrora fugaz; ou mais fugaz. Claro que isto tem que ver com um tempo absoluto (imortal) que se joga no mais mortal e sem história, instante quotidiano.
O registo. Quando o homem da Idade da Pedra desejava a presa fugaz, desenhava-a, registava-a... de certo modo fotografava-a, neste sentido novo: uma relação entre a morte e o desejo. Mais tarde, os primeiros agricultores abandonam o hiper-realismo fotográfico das primeiras pinturas ou gravuras; e passam à escrita, um outro domínio do registo da memória uma fase segunda do desejo. Balzac diria "falar de amor é já fazer amor". Olhar o falar são realmente os dois caminhos do desejo, que só em oposição criadora/destruidora (dialéctica) se podem entender.
Anti-pintura
Tudo é relativo. Anti-pintura como anti-cinema são expressões de relação, já o dissemos. Mas dinâmicas e dinamizadores em determinado contexto, e por aí necessárias. Temos que falar de outras roturas da anti-escola e da anti-crítica, por exemplo. Mas voltemos à nova fotografia.
É um domínio vasto. Fundamentalmente tem muito pouco que ver com a aparência formal, com a beleza pictoral, o modo perceptivo. É uma anti-pintura. Mas mesmo neste caso as coisas não são simples e há novas investigações no domínio perceptivo que são propriamente fotográficas ou da nova fotografia. Como aproximação mais geral a nova fotografia tem que ver com a memória, a (não) morte da memória e a suspensão do desejo. Neste sentido se distancia também do cinema e do vídeo, que imitam ou especulam (de especulum, espelho) o olhar. A fotografia não imita o olhar, suspende-o. E com o olhar suspende e conserva (comunica o outro nível) o desejo. Aquilo que os franceses chamam o "voyeur", é afinal um homem (ou mulher) normais que se distinguem, marginalizam, pelo isolamento de certas fases ou processos de contacto com o Outro. A nova fotografia suspende o desejo num processo que se aproxima do "voyeur" que todos somos. Foi de há muito praticada para os factos exteriores da nossa história na reportagem jornalística, análise e sequências respectivas. É agora descoberto (mais) esteticamente ao nível da memória. Sobretudo da memória futura, e já sem medos: penetrar nos teus lábios enfim. Olhar-te, a Ti, absolutamente outro.
Ernesto de Sousa
sábado, 11 de dezembro de 2010
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Positivo
Por outro lado sentiu-se algo que se esperava: a ausência de riscos, "factores surpresa" e alguma ansiedade relativamente às vendas atingidas na feira.
No entanto, a avaliar pelas indicações de reserva em cada um dos stands, essa diminuição de risco e a qualidade geral da feira não foi indiferente aqueles que continuam a apreciar arte e têm disponibilidade económica para a comprar.
Justifica-se. A qualidade dos espaços de exposição era apelativa; a selecção das obras, tanto por artistas como galeristas era em geral bastante boa.
Houve o cuidado de se fazer uma selecção diversa tornando cada stand num lugar bastante ecléctico - quando visto de um ponto de vista positivo ou optimista (mais do que uma leitura poderá ser feita).
Faltou no entanto o "ponto de encontro".
Normalmente esse espaço existia em forma de conferências. Este ano não foram realizadas.
Em parte, imagino, para que se evitasse o cair em discursos miserabilistas, quando nos stands se tentava demonstrar justamente o contrário: que o mercado estava vivo e está para ficar, apesar das contrariedades.
Este ano optou-se por manter apenas os Projectos - comissariados por Filipa Oliveira.
Se o risco calculado nos stands das galerias é compreensível, dadas as condições do mercado, já nos Projectos esperava-se que pudessem criar alguma margem de possibilidades não calculadas; com alguma irreverência, não bastando reproduzir a mesma ausência de risco verificada no andar inferior. Por outro lado, compreende-se. Embora o espaço do Terraço seja agradável ao visitante oferece algumas limitações e impede a realização de um arranjo muito diferente do que foi possível realizar.
De salientar ainda a participação da Inc, loja especializada em edições de arte e de artistas, onde se destacavam as obras de Pires Vieira e Miguel Palma; sentiu-se no entanto a falta de outras obras ou projectos, que têm estado activamente a talhar a face artística nacional. A pergunta é se ali seria exactamente o melhor espaço, para o fazer?
Deve o mercado operar como entidade autónoma, ou será igualmente necessário que outros projectos como espaços dito alternativos e de pesquisa artística pudessem fazer parte da mesma iniciativa?
Ainda assim, a escolha da organização da feira relativamente ao Pavilhão da Antiga FIL revelou-se acertada. O desenho dos stands e a ocupação do espaço não deu lugar a espaço supérfluo tendo sido bem aproveitado pelas galerias participantes.
Voltando ao "andar de baixo", todas ou a maioria das galerias activas portuguesas estava representada. Pena é, que "antigos diferendos" ainda afectem a não participação de algumas galerias nacionais. É um impacto que dificilmente poderá ser medido, mas que deixa algumas marcas de desconfiança sobre o próprio mercado de Arte Contemporânea, por eventuais compradores. A bem desse mercado, que no fim diz respeito a todos, seria de todo o interesse que essas divergências pudessem ser ultrapassadas.
Finalizando, ainda que a situação económica actual não seja a mais favorável, a organização, bem como as galerias que participaram e os artistas que representados provaram que é possível realizar um evento deste género no país e ainda atrair visitantes e eventuais compradores.
Mesmo que as vendas da feira não sejam representativas para os directamente envolvidos, espero que estes dois últimos factores mencionados possam continuar a manter as suas expectativas.
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Open Studios - 19 a 22 de Novembro, 2010
É uma oportunidade para todos os que procuram ter um contacto mais directo e próximo da produção artística, não mediado, como é costume, por outros factores de interesse, como por exemplo, o comercial.
Mais informações em http://assoc-castelodif.pt/pt/brochure
The show must go on...
Não querendo entrar em restrospectivas e tentanto ser o mais breve possível, o Infinito ao Espelho trouxe para o grande público, um espaço de partilha criado e gerido por artistas abordando vários aspectos relacionados com a prática e exposição de Artes Visuais. Tem sido igualmente um espaço de reflexão e desafio intelectual, sem no entanto ter alguma pretenciosidade associada.
Como tal e por continuar a sentir que a imprensa escrita não consegue, nem tem condições para cobrir vários aspectos relacionados com as Artes Visuais no panorama do país é imperativo que este espaço não fique por aqui.
Espero poder contribuir para que mais pessoas possam abraçar o projecto.
É certo que não estou a vislumbrar uma grande adesão, visto que devido à nossa dimensão social, a maioria de nós avalia bem antes de tomar posições ou de se comprometer com situações, visto que pode estar a fechar um "leque de oportunidades" presentes e futuras.
É talvez esse o maior desafio que vejo para o Infinito ao Espelho, enquanto espaço de reflexão.
Penso ser impossível falar-se de Arte, Política e "espaço de reflexão" e ser-se ao mesmo tempo um agregador total de todas as opiniões e desejos.
A Arte e todas as opiniões devem ser emitidas como tentativas. Não existe uma verdade absoluta e o blog é um terreno especialmente fecundo para o debate de opiniões diversas. Só precisa de ser gerado, motivado, como um desafio.
Será esse o meu compromisso.
The show must go on!
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Ana Cardoso - 8 monocromos na Galeria Reflexus

Um monocromo - ou neste caso um policromo - não representa nada. Se um monocromo pretendesse nomear algo, teria de ser nomeado de outra coisa.
Um monocromo é uma coisa no mundo.
Um monocromo vem ao mundo para criar uma revolução no sensível do humano, criando uma nova plataforma de entendimento do Outro, porque é mais uma coisa no mundo e não a substituição/representação ou mediação de algo pré-existente; E sobre toda a história do monocromo, conta apenas dizer, que o monocromo não é um fim em si mesmo, no sentido em que não é um objecto, mas sim uma plataforma ou estádio. Um monocromo é um planalto!
O estádio do monocromo é aquilo que Oiticica refere a estádio branco sobre branco (Malevich) e por analogia ao Rock em Roll: um ponto de passagem para o homem se autonomizar, tomando uma direcção livre.
Os oito monocromos que Ana Cardoso dispõe na galeria Reflexus são essa passagem. A pintura feita entre o sensível e o racional passa a ser feita por um corpo ultra sensível. E é aqui que se encontra o cordão umbilical a Blinky Palermo, usufruindo do poder de manusear e ser manuseada pela pintura, de constituir discurso através da descoberta de uma gramática própria à pintura e de um abecedário formado por silêncios 1. A repetição 2 do monocromo é essa forma de constituição de discurso , que neste caso é um discurso interior, e que só pode ser manuseado por esse corpo ultra sensível, onde a inteligência sensível e a inteligência racional se juntam.
A arte volta ser uma coisa interior que necessita de se tornar exterior e a pintura volta a ter um corpo para a receber.
1 e 2 - Soren Kierkegaard,“A repetição”; Trad. José Miranda Justo, Ed. Relógio d' Àgua, 2009.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Paulo Nozolino recusa prémio AICA
COMUNICADO
Recuso na sua totalidade o Prémio AICA/MC 2009 em repúdio pelo comportamento obsceno e de má fé que caracteriza a actuação do Estado português na efectiva atribuição do valor monetário do mesmo. O Estado, representado na figura do Ministério da Cultura (DGARTES), em vez de premiar um artista reconhecido por um júri idóneo pune-o! Ao abrigo de “um parecer” obscuro do Ministério das Finanças, todos os prémios de teor literário, artístico e científico não sujeitos a concurso são taxados em 10% em sede de IRS, ao contrário do que acontece com todos os prémios do mesmo cariz abertos a candidaturas.
A saber: Quem concorre para ganhar um prémio está isento de impostos pelo Código de IRS. Quem, sem pedir, é premiado tem que dividir o seu valor com o Estado!
Na cerimónia de atribuição do Prémio foi-me entregue um envelope não com o esperado cheque de dez mil euros, como anunciado publicamente, mas sim com uma promessa de transferência bancária dessa mesma soma, assinada por Jorge Barreto Xavier, Director Geral das Artes. No dia seguinte, depois do espectáculo, das luzes e do social, recebo um e-mail exigindo-me que fornecesse, para que essa transferência fosse efectuada, certidões actualizadas da minha situação contributiva e tributária, bem como o preenchimento de uma nota de honorários, onde me aplicam a mencionada taxa de 10%, cuja existência é justificada pelo Director Geral das Artes como decorrendo de um pedido efectuado por aquela entidade à Direcção-Geral dos Impostos para emitir “um parecer no sentido de que, regra geral, o valor destes prémios fosse sujeito a IRS”.
Tomo o pedido de apresentação das certidões como uma acusação da parte do Estado de que não tenho a minha situação fiscal em dia e considero esse pedido uma atitude de má fé. A nota de honorários implica que prestei serviços à DGARTES. Não é verdade. Nunca poderia assinar tal documento.
Se tivesse sido informado do presente envenenado em que tudo isto consiste não teria aceite passar por esta charada.
Nunca, em todos os prémios que recebi, privados ou públicos, no país ou no estrangeiro, senti esta desconfiança e mesquinhez. É a primeira vez que sinto a burocracia e a avidez da parte de quem pretende premiar Arte. Não vou permitir ser aproveitado por um Ministério da Cultura ao qual nunca pedi nada. Recuso a penhora do meu nome e obra com estas perversas condições. Devolvo o diploma à AICA, rejeito o dinheiro do Estado e exijo não constar do historial deste prémio.
Paulo Nozolino
1 de Julho de 2010
sábado, 22 de maio de 2010
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Sonic Youth, Lisboa 22 de Abril de 2010

No cenário, pobre no mais belo sentido da palavra, lençóis com corpos delineados a fogo em homenagem a Yves Klein são prevertidos por um jogo de luzes, que os retiram do imaterial. É uma arte sensorial, que nos lavra o corpo, que nos toca como uma bateria. As dissonâncias que nos agarram à história, do Schoenberg ao Cage, retornam a um rock emotivo. Parecem querer gritar, que estão ali, que estão atentos ao mundo e nada contentes com este. Que ainda acreditam que o podem mudar, ou que não se dão por vencidos.terça-feira, 27 de abril de 2010
Billy Childish





